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As verdades da semana


4) Os espanhóis não cospem no prato onde comem

Luis Enrique, seleccionador de Espanha, anunciou a convocatória para os jogos contra a Grécia e a Suécia a contar para a qualificação do Mundial 2022. Neste leque de futebolistas há apenas um jogador com mais de 32 anos. Porém, cinco dos convocados de Fernando Santos para os confrontos contra a República da Irlanda e a Sérvia têm mais de 32 anos. Nesta amalgama constam José Fonte, Pepe, Rui Patrício, João Moutinho e Cristiano Ronaldo.

Com novo Mundial à vista, o seleccionador nacional continua a escolher os mesmos defesas, médios e guarda-redes. Há 11 jogadores (entretanto João Mário, Rafa Silva e Anthony Lopes foram dispensados por lesão) desta nova convocatória que estiveram no Euro 2016, ou seja, quase uma equipa inteira. Do lado de Espanha, apenas seis resistem desde esse ano.

Há omissões como Gerard Piqué (reforma internacional), Sergio Ramos, David Silva, Thiago Alcantara, Cesc Fàbregas e Héctor Bellerín. A convocatória de Espanha é praticamente irreconhecível passados cinco anos e muitos jogadores "recentes" agarraram a titularidade de imediato, como Pau Torres, Unai Simón, Pablo Gavi e Eric Garcia (lesionado, mas constava da convocatória inicial anunciada na sexta-feira). 

E em Portugal não faltam nomes sonantes que deviam fazer parte desta e outras convocatórias. Esta ideia de que os mesmos têm de jogar sempre não bate certo quando grande parte dos favoritos de Fernando Santos estão a uma constipação da reforma. Muito se fala do "conservadorismo" do seleccionador nacional, mas não sou capaz de concordar. Acho "incompetência" uma palavra mais adequada. A exclusão de Gonçalo Inácio, Daniel Bragança, Vitinha, e talvez até Fábio Vieira, são decisões que em nada beneficiam a selecção e o futuro de Portugal enquanto produtor de talentos. Que motivação têm estes jovens para treinar e jogar com qualidade para depois José Fonte e Danilo Pereira serem convocados, novamente?

Com Matheus Nunes passou-se o mesmo. O médio é de caras o futuro Mousa Dembélé e terá pela frente um caminho repleto de sucesso. Mesmo assim foi preciso o Sporting bater com o pé para evitar que Matheus fosse convocado pelo Brasil de Tite. Fernando Santos defendia-se com o "estava a bater à porta", contudo a demora foi desnecessária e ridícula.

Gosto de Tite, mas quando um treinador brasileiro consegue ter mais capacidade cognitiva que um português está tudo dito.

Isto mostra ainda a diferença gritante entre portugueses e espanhóis no Mundo do futebol. Enrique é cem vezes o treinador que Fernando Santos é, e não se trata só de troféus. Quando Pedri se estreou no Barcelona e encantou a Europa, o seleccionador espanhol convocou-o para o Euro 2020 e deu-lhe a titularidade. Quando Gavi, também do Barcelona, começou a pisar os relvados de Camp Nou foi titular de imediato frente à Itália na meia-final da Liga das Nações, tendo também jogado frente à França na final.

Por sua vez, foi preciso chegar ao último jogo da fase de grupos do Euro 2020 para João Palhinha conquistar os seus primeiros minutos no onze português. E o médio do Sporting tem 26 anos, ao contrário de Pedri (18 anos) e Gavi (17 anos), tendo entrado apenas na segunda parte do encontro contra a França. Danilo Pereira e William Carvalho tiveram épocas desastrosas e continuaram com lugares cativos no onze, depois de Palhinha ter sido crucial na conquista do campeonato português por parte do Sporting.

Em vários aspectos do futebol há ainda muito que os portugueses podem aprender com os espanhóis. 

Especialmente, Fernando Santos.


3) RDT é mais um exemplo da gestão danosa de Luís Filipe Vieira

Na convocatória inicial da selecção de Espanha, constava o nome de Ansu Fati do Barcelona, mas por lesão foi entretanto substituído por Raul de Tomás. Já escrevi sobre RDT aqui e não tenho mais adjectivos a acrescentar.

Quando se olha para Darwin Nuñez, Roman Yaremchuk e Gonçalo Ramos fica no ar o que Jorge Jesus conseguiria fazer com um jogador do calibre de RDT.

Mais um pontapé de bicicleta de Luís Filipe Vieira. 


2) Prefiro o Villarreal a um clube saudita com dinheiro inesgotável

Perdoem-me o título porque um clube saudita é sempre um clube com dinheiro inesgotável. 

O forrobodó à volta do Newcastle ficou bem morno, um mês após um consórcio da PCP Capital Partners, Reuben Brothers e o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita ter investido mais de 300 milhões de libras na compra do clube. Em causa está a oficialização de Eddie Howe como treinador da equipa inglesa com um contrato até 2024. O anúncio foi feito ontem, estando Graeme Jones a servir como treinador interino depois de Steve Bruce ter sido despedido no mês passado.

Segundo anunciaram vários órgãos de comunicação social, Paulo Fonseca, Unai Emery e Eddie Howe foram os principais entrevistados. Howe, que aliás esteve ao lado de Amanda Staveley (CEO da PCP Capital Partners) no jogo entre o Brighton & Hove Albion e Newcastle no sábado, será apenas mais um general prussiano à espera da machadada da indemnização milionária. Num projecto com tantos milhões, a mediocridade parece também abundar.

Unai Emery terá sido o favorito dos proprietários para comandar as tropas inglesas nesta nova caminhada. Segundo o jornalista Guillem Balague, Emery viu o projecto com bons olhos mas foi aconselhado a recusar devido à volatilidade e inconsistência patente do clube. Quem diria que um clube de "novos ricos" (Internazionale, Paris Saint-Germain, AC Milan, Valencia, entre outros) revelasse impreparação em vários departamentos.

O actual treinador do Villarreal preferiu ficar em Espanha em vez de gastar vários milhões de euros todos os anos em transferências milionárias. Não se trata só de dinheiro no futebol. Um treinador vencedor como Emery opta por estar num sítio capaz de lhe dar condições para o sucesso. Contratações cirúrgicas, estabilidade no projecto e uma visão clara para o futuro.

Foi também noticiado a existência de uma cláusula, permitindo ao Newcastle despedir o treinador se este não garantisse a manutenção na Premier League. Algo equivalente seria começar um casamento e dias depois contratar advogados para antecipar os procedimentos do divórcio.

A meu ver o futebol ganha com esta novela. Os "magpies" continuarão a apostar em treinadores ingleses com a expectativa de que estes se tornem em Guardiolas e Klopps só por conseguirem enterrar milhões de libras em jogadores de alto nível. Em Macau é igual. Há quem pague quantias miseráveis a empregadas oriundas das Filipinas esperando o serviço de um "butler" inglês. Já Unai Emery, irá treinar equipas com bases sólidas, com recrutamento aprofundado e jogadores competentes. Um terá sucesso, o outro não.

Clubes como o Bayern de Munique ou o Ajax riem-se de toda esta inutilidade e podem agora vender jogadores não muito bons ao preço do ouro porque os sauditas irão, certamente, inflacionar o mercado com decisões questionáveis.

Nós, os ricos!


1) O Manchester United é o pior clube da Europa

Antonio Conte assinou contrato com o Tottenham Hotspur até 2023. Depois de uma abordagem falhada no Verão, o director desportivo Fabio Paratici assegurou finalmente ao técnico italiano que a política de transferências vai mudar e que Harry Kane não irá sair tão depressa do clube inglês. Por cima de Paratici está o caprichoso presidente Daniel Levy, dono de uma arrogância nefasta que tem permitido tantos desaires ao seu clube. Levy comporta-se como uma criança a jogar "Football Manager", achando que o sucesso está do lado dos que acreditam muito e pouco fazem. Talvez Conte terá conseguido tudo o que queria: é dos treinadores mais bem pagos, terá ao seu dispor um dos melhores avançados e na pior das hipóteses, se não tiver sucesso, ninguém o julgará.

Porém, no mesmo país existe um outro clube incapaz de admitir os seus erros de má gestão. O Manchester United tem um plantel apenas rivalizado pelo PSG e Chelsea estando na lama devido a um contínuo apoio da direcção ao actual pior treinador da Premier League, Ole Solskjaer. O United está na Liga dos Campeões, na primeira metade da tabela do campeonato inglês e tem dos melhores jogadores em cada posição. Convencer Conte ou qualquer outro treinador não é tarefa difícil, tanto que o actual técnico dos Spurs esperou "até ao último minuto"  pelo contacto dos "red devils".

Pasma-me o facto do auto-proclamado "melhor clube do Mundo" não ter movido montanhas para impedir Conte de assinar por um dos seus grandes rivais. O Bayern recrutou o melhor treinador da Bundesliga assim que soube que Hansi Flick tinha intenções de treinar a selecção da Alemanha. Não esperou três anos para tomar uma decisão desta importância e contratou Julian Nagelsmann sem esperar o interesse dos outros rivais. Fez o mesmo com Marcel Sabitzer e Dayot Upamecano, duas comodidades procuradas por meia Europa. 

Pura e inalterada má gerência levará os clubes mais ricos e com uma concentração de jogadores de alto calibre a perecer com a maior das facilidades.

Por último, o mesmo United foi dominado no sábado pelo Manchester City (0-2) num jogo que mais parecia uma equipa de profissionais contra os benjamins do Damaiense. 


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