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As verdades da semana


5) Será Portugal a Alemanha Nazi? Talvez.

Em qualquer filme há actores principais, secundários e figurantes. Por ordem de relevância e valor de entretenimento, uns são mais bem pagos que outros. Uns são mais importantes do que outros.

Num qualquer filme, Jack Nicholson recebe mais que o seu duplo.

A razão é óbvia: o consumidor de filmes do Jack Nicholson paga para o ver em acção. Ninguém paga para ver o duplo.

E assim chegamos a Tiago Brandão Rodrigues, o duplo.

Apesar de figurante, o actual Ministro da Educação, gosta de história. História Nazi, entenda-se.

Quando a Alemanha de Adolf Hitler invadiu a Polónia, em 1939, procedeu a uma revolução cultural, social, económica e pedagógica. O modelo educacional polaco necessitava de ser revisto. Revisto com base em critérios nazis de domínio e destruição do dominado. 

Através de uma directiva de Heinrich Himmler, comandante das SS, as normas ficaram claras.

'A população não germânica dos territórios do Este só pode ser educada até ao 4º ano. O objectivo deste ensino é, simplesmente, ensinar aritmética simples até ao número 500, como escrever o próprio nome e aprender que o comando de Deus é ser obediente aos Alemães (...). Considero desnecessário a aprendizagem da leitura.'

Na semana passada, o Ministro da Educação proibiu as escolas públicas e privadas de ensinar os seus alunos à distância, através de modelos online não presenciais. Esta proibição, juntamente com o fecho de todas as escolas, está designada para 15 dias, com o tempo perdido a ser recompensado mais adiante no calendário escolar. A medida adoptada seria para prevenir a propagação do COVID-19 nos diversos estabelecimentos de ensino do país.

O Ministro, porém, focou-se no privado: 'Esta é uma interrupção letiva para todos. Eu tenho muito respeito pelo ensino particular e cooperativo, mas o ensino particular e cooperativo não são as nossas universidades e institutos politécnicos, com o grau de autonomia que têm. (...) Este ziguezaguear, espreitar sempre a exceção ou tentar fazer diferente é o que nos tem causado tantos problemas em termos societais.'

Tal com Himmler, Tiago Brandão Rodrigues proíbe. Mas proíbe porquê? 

Se formos falar em desvantagem entre privado e público falemos dos quase 300 mil computadores prometidos pelo primeiro-ministro, António Costa, no início deste ano lectivo. Onde estão?

A desvantagem existe mas a culpa não é do privado e sim da impreparação do sector público em áreas onde o privado é, francamente, superior. Infelizmente, a lógica socialista é a oposta. Tudo o que for do Estado é bom. Apesar de, em quase todas as áreas da vida, isso não ser provado.

Com a lógica das desvantagens em mente, os clientes da CUF deviam esperar cerca de 3 anos para marcar uma consulta. Desta forma, não se adiantam às enormes listas de espera do serviço de saúde público. 

Conheço pessoas que fizeram altos sacrifícios para colocar os seus filhos em escolas e universidades mais caras e melhores. Estes pais têm de ser prejudicados por pagarem mais e em retorno terem um serviço melhor para os seus filhos?

Ou este Governo continua com a lista de desculpas? 

1- O número de infectados por COVID-19 aumenta depois do Natal: a culpa é dos portugueses que não trocaram as compotas no quintal com a família.

2- Portugal lidera em casos e mortes de COVID-19 por milhão de habitante: a culpa é dos portugueses não ficarem em casa. 

3- Quando E.U.A., Brasil e Reino Unido lideram nas categorias de cima: a culpa é dos fascistas que negam a doença. 

4- As escolas fecham: a culpa é dos privados que andam sempre à procura da excepção.

Quando a direita governa, é fascismo. Quando a esquerda (des)governa, a culpa é do Zé Povinho.

O Zé tem as costas muito largas, felizmente.


4) Será que o Diabo voltou? Não, ele esteve sempre presente.

O resultado das eleições presidenciais foram divulgados no Domingo e Marcelo Rebelo de Sousa renovou o seu mandato. E a minha previsão foi por água abaixo.

Achei, e mal, que André Ventura ficaria em segundo lugar, atrás de Marcelo Rebelo de Sousa, mas isso não se concretizou. Ana Gomes foi quem ficou atrás do Presidente da República.

Houve muito indignação pelos cerca de 500 mil portugueses que votaram em Ventura. Estes portugueses são todos fascistas e a sua existência parece mais perigosa do que qualquer ditadura portuguesa. Eu recordo que os votantes do Chega fazem parte de várias famílias políticas do espectro político inteiro. Comunistas, sociais-democratas, esquerdistas e até socialistas. 

Acho André Ventura radical e extremista nalgumas ocasiões, mas o que faz Ventura que Catarina Martins, Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa não fizeram? Populismo? Falsas esperanças? Projectos indefensáveis? Alianças internacionais duvidosas? Os extremos tocam-se.

O erro em combater quem está descontente, e por isso vota em alguém que se apelida como anti-sistema e politicamente incorreto como André Ventura, é tratá-los abaixo de cão. Interpretar desonestamente este resultado e apelidar os apoiantes de Ventura como algo que não são apenas dá origem a mais apoiantes, mais rebeldia e mais extremismo. 

Encará-los e defrontá-los na arena das ideias e debater determinados pontos de vista, como qualquer democracia civilizada, é a solução mais adequada. Marginalizar, seja quem for, pela sua cor de pele, religião ou ideologia política é aquilo que ditaduras comunistas e fascistas fizeram durante anos. 

Interpretar o resultado de André Ventura como um perigo e uma ditadura submersa que aí vem é anti-democrático e, francamente, ridículo. A esquerda e direita trataram Ventura e o Chega desta maneira e vejam-se os resultados.

Se Ventura ganhou mais votos do que se esperava, a esquerda perdeu e bem. Marisa Matias perdeu 300 mil votantes desde a última eleição presidencial. João Ferreira perdeu 2 mil votantes comunistas que votaram em Edgar Silva em 2016. Até Ana Gomes perdeu cerca de 500 mil votantes em relação ao segundo classificado de 2016, Sampaio da Nóvoa.

No entanto, ninguém se assusta com os 541 mil votantes de Ana Gomes, ou os 100 mil votantes de Marisa Matias e de João Ferreira. E o histórico destas três figuras e dos partidos que representam é quase pior que o de Ventura.

Destaque positivo e negativo para a Iniciativa Liberal, em quem votei. Um candidato desconhecido e sem grande figura mediática incentivar 130 mil votantes às urnas parece ser um bom resultado. Será interessante verificar se há possibilidade de crescer este eleitorado ou se os liberais se vão fixar apenas em Lisboa e Porto. Acho a segunda hipótese mais plausível.

De facto, a lista de candidatos é fraca e não há ninguém a destacar-se pela positiva. Até Marcelo.

O Presidente, apesar de ser o mais qualificado, passou um cheque em branco ao Governo socialista durante os primeiros cinco anos do seu mandato. Mas como Marcelo manda beijos e abraços, votar nele é continuar com as selfies e os telefonemas para o programa da Cristina Ferreira. Pena que assim seja.

Foram eleições marcadas pela fraca troca de ideias, hipocrisia de uns e extremismo de outros. Esperemos algo diferente daqui a outros cinco anos.


3) E no fim vence Rúben Amorim.

Já há poucos adjectivos para o treinador do Sporting. Venceu a Taça da Liga à sua antiga equipa, o S.C. Braga. O Braga, com Amorim como treinador, tinha ganho a mesma competição no ano passado. Isto é, Amorim sucede a Amorim.

Os 10 milhões de euros que Amorim custou ao Sporting foram pagos no momento em que assinou contrato com a equipa de Alvalade.


2) Paulinho precisa de um palco maior que o S.C. Braga.

Paulinho é o melhor ponta de lança português (Ronaldo não conta para este discussão, por motivos óbvios).

Paulinho consegue agregar uma boa quantidade de atributos que muitos avançados sonham ter. Jogo de cabeça, movimentação entre-linhas, capacidade de finalização, movimento na profundidade e em apoio, e uma capacidade fenomenal de desmarcação.

Fala-se num eventual interesse do Sporting. Com Paulinho, a equipa de Alvalade pode já erguer o troféu da Liga NOS. O Sporting tem um plantel completo e a adição de Paulinho só iria antecipar a entrega das medalhas de ouro à equipa presidida por Frederico Varandas.

De facto, Varandas tem sido um presidente exemplar. O plantel do Sporting é muito competitivo, tal como o treinador. 

Este ano, Varandas está de parabéns.


1) Bernardo Silva perdeu a razão.

Depois de Jorge Jesus ter afirmado que Bernardo Silva não quis perder tempo a lutar por um lugar na equipa principal do Benfica, requisitando sair para o A.S. Mónaco, Renato Paiva, actual treinador do Independiente del Valle e ex-treinador da equipa B do Benfica, veio confirmar as palavras de Jorge Jesus.

Em entrevista ao Canal 11, Renato Paiva afirmou que Bernardo Silva não quis aguardar a sua vez, sendo difícil justificar uma possível titularidade do português, salvo raras excepções, quando havia jogadores como Salvio, Gaitán e Enzo Pérez, jogadores indiscutíveis na primeira passagem de Jorge Jesus no Benfica. 

O que muitos benfiquistas argumentam, e eu por aqui já me debrucei sobre o tema, é o facto de a qualidade de Bernardo ser inegável e 'Como foi possível o Benfica ter vendido o craque do Manchester City por apenas 15 milhões de euros?'.

Pelos vistos, Bernardo Silva não teve a paciência e a capacidade competitiva de lutar por um lugar não garantido. O futuro correu-lhe bem. Foi para o Mónaco, onde foi campeão francês, tendo sido depois vendido ao clube azul de Manchester. 

Já é o segundo treinador a referir a impaciência de Bernardo Silva no Benfica.

Dizem que Jorge Jesus quis Bernardo Silva a jogar a lateral esquerdo. Quem conhece JJ sabe a importância dada pelo actual treinador do Benfica à polivalência dos seus jogadores. Já Rúben Amorim, no Belenenses, fazia várias posições sem grandes protestos. O próprio Everton 'Cebolinha' fez alguns treinos a lateral esquerdo este ano. 

Jesus sempre quis os seus jogadores a interiorizar as mais variadas posições. Não ele o único a fazê-lo.

Bernardo Silva continua à procura de desculpas pelo insucesso da sua passagem pelo Benfica. 

Não lidou bem com a adversidade e deu corda aos pedais.

Agora, Bernardo perdeu a razão.

Comments

  1. Uma coisa devo desde já deixar bem expresso, apesar de não concordar em algumas observações/análises que tu fazes aqui, em As Verdades da Seman, gabo-te a ousadia, a manifestação da tua opinião sobre os assuntos que escolhes, sem medos, mas também tenho de dizer que, se tal o fazes, devemos esta partilha, sem censuras (ao que escreves ou aos nossos comentários), pois em 25 de Abril de 1974, um grupo de soldados avançou e nos deu essa simples liberdade (e outras) que nos foi proibida durante 48 anos com a ditadura fascista.
    Dou-te por isso os parabéns, não só pela maneira como escreves, mas pelas opiniões que manifestas, acredito serem genuínas, e pena tenho que não apareçam mais pessoas a concordarem ou a discordarem ou simplesmente a comentarem.
    Vais longe, digo eu que sou suspeito.

    Posso até concordar contigo, o Estado foi ineficiente para com os alunos do publico deixando-os sem aulas online, sem computadores, mas também tenho que dizer de justiça, e apesar do esforço dos encarregados de educação das escolas privadas que se se mantivessem em funcionamento, o fosso existente hoje na aprendizagem aumentaria muito mais no futuro, talvez isso não seja razão absoluta, dou o beneficio da dúvida.
    O Governo não cumpriu, o governo não previu nada, o governo deixou andar, apesar de avisado.
    Agora comparar o homem ao Ministro Nazi é exagerado.

    As eleições são o que são, e o que pode irritar é a união pacifica entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa.
    A esquerda, pseudo-esquerda e afins perdeu esta eleição, excetuo o Tino de Rans que considero um personagem totalmente diferente. Gosto dele.
    Acho que o BE está a dar o canto do cisne, assim como o CDS, e que os votos do André Ventura foram mais dos indecisos, do PSD, do próprio CDS, que também os perdeu para o Mayan, talvez o único que tenha feito uma campanha impecável.
    Não posso deixar de também de dizer que os populistas dizem aquilo que as pessoas gostam de ouvir, apesar do populismo português ser muito fraco. Os admiradores do populismo estão em todo o lado, e todos sabemos no que dá esta “ideologia” entre aspas, é claro, como se o fosse, o que eu duvido. Os números não mentem:
    Trump 2016 63 milhões (em Hilary 66 milhões)
    Biden 2021 81 milhões (Trump 74 milhões)
    Bolsonaro 58 milhões em 2018 (Hadad do PT 47 milhões)
    Serão os eleitores inconscientes?
    Não creio, acredito é que os populistas ocupam hoje um espaço que os partidos tradicionais estão a descurar, e isto já não passa por uma disputa direita/esquerda/centro, vai mais além, as pessoas estão divorciadas da politica, mas querem uma vida melhor, menos impostos, mais igualdade, menos corrupção, mais justiça e quando alguém lhes fala disso vão atrás. Este o perigo para as democracias.
    O Diabo não existe, só na nossa cabeça.

    Por fim o desporto:
    Ruben Amorim, acredito que seja o treinador do futuro. Está a transformar uma equipa, antes completamente desacreditada, no Sporting que todos começam a respeitar.
    Pode não ganhar mais nada este ano, mas a base está lançada.
    Vamos ver como a equipa se comporta contra a do mestre Jorge Jesus.
    O Paulinho, concordo, merece um palco maior que o Braga, mas convém dizer que a idade já vai avançada, e que naturalmente será o último contrato que fará.
    O Bernardo Silva, agora é fácil falar.

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