Ser experiente pode significar que não acompanhamos os tempos. Pode até significar que nos respeitam demasiado e não nos dizem a nua e crua verdade. O respeito, como se diz, é muito bonito mas ofusca, por vezes, a realidade.
Esta velha guarda, hiper sapiente, exige tanto respeito que comentários como 'Olha, é tempo de saíres de cena' parecem impróprios.
Aconteceu com o Dr. Salazar, depois da queda, e agora acontece com o Benfica.
Na noite de ontem estivemos perante a mais cómica peça teatral do futebol português, e não, não foi o Sporting. Na derrota frente ao Zenit (3-1) a contar para a 2ª jornada do grupo G da Liga dos Campeões, o Benfica e Bruno Lage cometeram erros clamorosos, incapazes de serem justificados a este nível.
Fejsa e Jardel foram titulares em São Petersburgo e mostraram ser a velha guarda que, simplesmente, não consegue pendurar as chuteiras. As luzes brilham muito mais. O egoísmo ultrapassa qualquer limitação física, no caso Jardel, e técnica, no caso Fejsa.
Fejsa cumpriu dois anos ao mais alto nível ao serviço do Benfica mas não temos de lhe pagar o subsídio de invalidez: na jogada do 1º golo marcado pelo Zenit (Dzyuba), o sérvio mostrou não ter pés (nem cabeça) para sair a jogar; já na 1ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa do ano passado frente ao Eintracht Frankfurt, o resultado foi idêntico.
A culpa é tanto do jogador como do treinador. O jogador porque ainda não aprendeu os princípios de jogo da equipa e o treinador porque o expõe em jogos de alto risco.
Bruno Lage podia querer restituir alguma justiça ao onze inicial, tentando equilibrar a equipa devido às duas lacunas, mas não o fez. O melhor e segundo mais caro jogador do Benfica, Raúl De Tomás, estava no banco e quando saiu do banco marcou e marcou bem.
Ainda não se percebe esta birra de Lage perante De Tomás.
Se De Tomás está a 20%, deve jogar. Se De Tomás está a 0,5%, deve jogar. Em qualquer percentagem ou até mesmo sem uma perna, De Tomás deve começar em vez de Seferovic (o suíço elitista), que deve continuar a ter uma submissão quase canina perante o chefe para ainda ser titular.
Acresce ainda que os 20 milhões de euros gastos em De Tomás foram para este ver a inépcia de Seferovic ao vivo e a cores. O espanhol até deve pensar que no Rayo Vallecano tinha apanha bolas com mais talento numa orelha que este suíço elitista. Os erros acumulam-se mas a paciência parece desvanecer.
Por muito que se queira coroar Bruno Lage o salvador da pátria encarnada, a lua-de-mel já acabou e agora está na altura de voltar a casa, pagar impostos, levar os filhos à escola e pôr comida na mesa.
Se a lua-de-mel durar mais tempo estaremos para a Europa como estávamos em 1965: 'Combatemos sem espetáculo e sem alianças, orgulhosamente sós'.
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