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As verdades da semana




10) A Premier League não se tornou interessante por causa dos ingleses.

Muito se tem falado, dentro dos círculos de opinião do futebol inglês, sobre futebol atrativo. O mais chocante desta ideia é pensarmos no estado do futebol inglês antes da sua grande expansão. 

Durante anos, o Manchester United de Sir Alex Ferguson e o Arsenal de Arsène Wenger figuravam como as únicas equipas inglesas decentes no futebol europeu e mesmo estas não eram a Holanda de 1970. 

O campeonato inglês era um autêntico pântano. A qualidade de futebol exibida era do século XII, os relvados lastimáveis e os jogadores medíocres.

Quando José Mourinho e Rafa Benitez, dois dos melhores treinadores do Mundo em 2004, se tornaram treinadores de Chelsea e Liverpool, respectivamente, o futebol inglês teve um boom tremendo. Jogadores dos mais variados campeonatos da Europa começaram a querer assinar por clubes ingleses porque, gradualmente, os grandes treinadores começavam a singrar e a desenvolver o grande campeonato inglês que hoje vemos nas nossas televisões. 

Tudo isto, muito resumido, fez com que um clube como o Everton, que luta pelos lugares fora de competições europeias, possa ter a capacidade financeira de contratar um dos grandes treinadores de futebol do século XXI, Carlo Ancelotti. 

Fico, porém, admirado com a temeridade, lata e a audácia com que muitos ex-futebolistas, agora comentadores, criticam quem pratica um futebol menos atrativo e pragmático quando eles próprios contribuíram para a podridão que foi o futebol inglês antes de 2004.

Cá se fazem, cá se pagam.


9) Rúben Amorim é um unicórnio.

Acho o treinador do Sporting tremendo. Já quando treinava o S.C. Braga partilhava a mesma opinião. Rúben Amorim, e acredito muito nisto, será o sucessor de Jorge Jesus no banco do Benfica a não ser que a Europa o leve, um cenário não muito surpreendente também.

Em jogo grande da 12ª jornada da Liga NOS, o líder Sporting recebeu o Braga (2-0) e conseguiu 3 pontos importantes na sua contínua tentativa de alcançar o primeiro campeonato em 18 anos. 

Mas o jogo foi de um só sentido. 

Carlos Carvalhal é dos grandes treinadores portugueses e a sua equipa está cada vez mais calibrada para lutar pela conquista do campeonato como qualquer outro 'grande'. 

Não me lembro de um jogador do Sporting a fazer uma grande exibição. Pedro Gonçalves marcou mas passou ao lado do jogo, Adán fez uma defesa muito boa e Sporar incomodou durante um período muito pequeno. Achei o resultado injusto mas no futebol a justiça não conta para nada. 

O Sporting não ganhou por acaso. Muito deste trabalho 'sortudo' deve-se à qualidade do unicórnio do futebol português.

A estrelinha está de facto do lado de Amorim.


8) Quando a batalha nem começou mas já se anuncia a derrota mais vale não combater.

No primeiro debate referente às eleições nacionais presidenciais de 2021, Marcelo Rebelo de Sousa, o incumbente, protagonizou com Marisa Matias um dos debates mais desastrosos de que há memória. 

A oposição foi nula da parte da candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, como é categórico deste partido, e só faltava um beijinho e um abraço tal era a simpatia que ambos tinham um pelo outro. Marcelo está bem mais interessado no eleitorado de esquerda do que no de direita e este debate mostrou-o. 

Uma coisa é certa, Marisa Matias está para a política como Clint Eastwood está para filmes de comédia.


7) A RTP há muito que devia ter sido privatizada.

A inexperiência nota-se. O discurso é nervoso mas algumas ideias parecem claras. Tiago Mayan Gonçalves, apoiado pela Iniciativa Liberal, esteve em debate com Marcelo Rebelo de Sousa e foi talvez o maior opositor que o Presidente da República terá nestes debates em termos de ideias. 

Mas o debate mais parecia que Tiago Mayan tinha sido o Presidente da República durante 5 anos e Marcelo Rebelo de Sousa era o candidato inexperiente que precisava de um guia. 

Quando um liberal advoga para uma menor carga fiscal, menos poder do Estado, menos despesa em coisas supérfluas parece que Portugal fica em estado choque porque acabou de avistar o bigfoot

De repente parece que não há dinheiro para nada. De repente não há dinheiro para reformas fiscais que dão mais aos portugueses e menos ao Estado. De repente não há dinheiro para fazer com que o país cresça mais que países que saíram do 'paradisíaco' bloco soviético. De repente Portugal não tem dinheiro para coisa nenhuma.

Muitos portugueses não gostam de ser acionistas de uma empresa de aviação onde vão ser enterrados cerca de 3 mil milhões de euros até 2024.

Muitos portugueses também não gostam de ser acionistas de um empresa de telecomunicação onde todos os anos são gastos cerca de 200 milhões de euros. 

200 milhões para a Catarina Furtado nos educar sobre os perigos da fome em África.

Nunca há dinheiro para nada em concreto mas para estes projectos, e outros igualmente danosos, já parece que vivemos nos jardins suspensos da Babilónia. 


6) Football Manager 2021 está em Stamford Bridge.

Frank Lampard é uma vergonha como treinador. 

Quem vê os jogos do Chelsea percebe que as ideias são nulas, quer a atacar quer a defender. O treinador do Chelsea parece a Lili Caneças sempre que uma clínica de botox fecha: fica, completamente, à deriva. 

Gastar uma quantidade brutal de dinheiro nos melhores jogadores do Mundo não lhe compra competência. Ir de Maurizio Sarri para Frank Lampard é o equivalente a ir de um Ferrari para um Ferrari sem motor, pedais, janelas, portas, rodas, jantes e volante.

A brincadeira do Football Manager continua para Frank Lampard. Esperemos que não dure muito.


5) André Ventura v. Ana Gomes será a novela mais interessante de 2021.

O debate acontece hoje, sexta-feira dia 8 de Janeiro na TVI às 20:50, e será um festival de fogo de artifício de ambas as partes.

André Ventura, o segundo grande comunicador político deste século (atrás de Marcelo) já ameaçou retirar-se da liderança do Chega se ficar atrás de Ana Gomes o que só promete que este debate seja ainda mais interessante. Ambos com telhados de vidros mas ambos a detestarem o outro com tamanho vigor.

Será o grande espetáculo televisivo deste ano e bem sei que o ano ainda agora começou. 


4) O bom português delibera muito mas decide pouco.

À boa maneira portuguesa, o jogo entre o Santa Clara e o Benfica nos Açores teve de ser jogado durante 5 minutos em condições de terceiro Mundo antes de ser suspenso. 

No estádio do Santa Clara a bola parava, constantemente, em poças de água, aumentando o risco de lesão para os jogadores e deteriorando assim o espetáculo do futebol. O árbitro nada viu de errado. 

Jorge Jesus gritou e esperneou para que o árbitro tivesse a clemência de parar o encontro até que as condições melhorassem.

Incompetência 1- o relvado estava como estava não por causa dos 5 minutos de jogo entre as duas equipas mas sim pelas horas antes do encontro. Um relvado não chega àquela situação vergonhosa em 5 minutos. Logo, o árbitro, imediatamente, ao ver as condições do relvado nem sequer devia ter entrado em campo. Um qualquer jogador lesionava-se e depois como era?

Incompetência 2 - um português não é um português sem ponderar muito sobre um assunto sem fazer absolutamente nada. Depois de o árbitro ter mandado as equipas para o balneário houve muita discussão e poderia haver a remota possibilidade de se reatar o encontro se as condições fossem menos agrestes. Ora, continuava a chover mesmo depois do jogo ter sido suspenso e o vento continuava igual mas em Portugal gosta de se discutir as mais variadas possibilidades. Como se em 10 minutos os Açores, em pleno Janeiro, se transformasse nas Ilhas Maurícias. 

Discutir muito e fazer nada está no nosso sangue. É uma pena mas ser português é isto.


3) O PSG percebeu que um treinador de qualidade é meio caminho andado para se ter sucesso.

O PSG deixou de jogar ao Monopólio, decidindo pôr fim à brincadeira de treinadores medíocres. Com um plantel daqueles não fazia muito sentido para as ambições do clube de Paris ter como treinador Thomas Tuchel. 

Não chega colocar uma equipa de milhões ao dispor de um treinador de tostões. O futebol, muito raramente, funciona assim. 

Depois de Laurent Blanc, Unai Emery e Thomas Tuchel o PSG contratou um fora de série. Mauricio Pochettino é um dos grandes treinadores mundiais e deixá-lo treinar Kylian Mbappé e Neymar é altamente perigoso: uma futura dinastia pode estar prestes a começar. 

Pochettino assinou até 2022. A meu ver um contrato curto mas a seu tempo dará vários motivos para prolongar este vínculo. 

Cá estaremos para ver.


2) Há alguém que não sabe o que André Ventura representa politicamente?

André Ventura é um ótimo tribuno mas tem poucas ideias para o futuro do país. Como fazer o país crescer economicamente? Como melhorar a gestão de dinheiros públicos? 

Há algumas bandeiras: a crítica às subvenções vitalícias, a guerra com os estonteantes 3% de ciganos a viver de RSI e as simpatias com Marine Le Pen. 

Ventura prefere desencadear uma guerra com os ciganos por causa do RSI do que travar mais dinheiro público a ser enterrado na TAP. As prioridades são gritantes e acho que é este aspecto que limita André Ventura. 

O debate de terça-feira entre Tiago Mayan Gonçalves e André Ventura demarcou as duas entidades de direita. Um discutiu ideias, apesar do seu perfil fraco, o outro tem bandeiras espontâneas sem uma visão para o país.

Haverá alguém capaz de explorar estas lacunas de Ventura?


1) Marcelo, o Professor.

Como era previsto, Marcelo Rebelo de Sousa relembrou que afinal não é um sujeito à deriva da esquerda socialista. 

O professor, e este título é mais do que meritório e talvez até tem mais impacto que o actual cargo que ocupa, deu uma autêntica lição de ideologia de direita. Confrontou André Ventura, no debate de quarta-feira, com o legado de Francisco Sá Carneiro e do Papa João Paulo II e teve um desempenho bastante sólido.

O Sr. Presidente podia vestir mais vezes a pele de professor. 

É aí onde é, altamente, talentoso.





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