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A verdade da semana



Hoje só há uma verdade. Não se deve a falta de material, contudo. 

Por exemplo:

- O PCP é igual aos países que implementaram com sucesso a ideologia de Karl Marx. É um zero.

O deputado António Filipe, do PCP, foi o convidado do programa 'Isto é Gozar com Quem Trabalha' de Ricardo Araújo Pereira. Para além de longas e vagas respostas sobre o Congresso do PCP e outros assuntos, o sr. deputado disse a frase mais estúpida do universo linguístico: 'O PCP não é um partido de extrema-esquerda'. 

Eu perguntava ao sr. deputado o que faz então o PCP ao comemorar o aniversário de um sanguinário como Vladimir Lenine? 

O que leva o PCP a argumentar que o Mundo está mais pobre sem a URSS? 

O que leva o PCP a perguntar 'O que é uma democracia?' quando questionado sobre se a Coreia do Norte é um país democrata? 

O comedimento do PCP abunda, de facto.

Parece universal o falhanço do comunismo mas para António Filipe este ainda está bem vivo. Para o PCP ainda estamos em plena Guerra Fria. É pena todos sabermos o resultado final e eles ainda à espera de uma reviravolta.

O pensamento comunista é tão atrasado como os seus líderes.


- O Tio de Setúbal cala muita gente desde 2003.

José Mourinho vê o futebol de maneira diferente. Hoje em dia, no desporto-rei, interessam remates, percentagens de posse de bola, número de toques na área adversária. Ganhar é secundário. Levantar troféus é considerado arcaico. 

No sábado, dia 21 de Novembro, o Tottenham de Mourinho venceu o Manchester City de Pep Guardiola por 2-0 a contar para a Premier League. 

A equipa liderada pelo espanhol rematou 22 vezes. 5 à baliza. Desses 5 remates, Hugo Lloris só teve uma defesa complicada. Afinal, as estatísticas não dizem tudo.

Foi apenas um jogo e ainda há muito campeonato pela frente. Porém, o tio de Setúbal continua a mostrar uns quantos truques. A surpresa é muita mas não deste lado. 

John Wayne participou num dos melhores filmes de sempre, Rio Bravo (1959), com 52 anos e era o mesmo cowboy de sempre. Há coisas que nunca mudam.


1) Diego Maradona, o Rei em terra de cegos.

Há poucos atletas capazes de dizer que ganharam sozinhos. Poucos, muito poucos. 

Michael Jordan terá sido um - se bem que Scottie Pippen foi instrumental. 

Cristiano Ronaldo terá sido outro - mas o Real Madrid tinha dos melhores 11 iniciais de sempre.

Tiger Woods teve sucesso num desporto individual mas foi guiado pelo seu pai durante grande parte da sua carreira.

Maradona fez tudo sozinho. 

Era o melhor jogador da seleção argentina, do Barcelona, do Nápoles, do Sevilha, do Boca Juniors, do Newell's Old Boys e do Mundo. 

Em Itália defrontou os melhores jogadores e os melhores treinadores. Esteve no meio da revolução tática do Milan de Arrigo Sacchi. Defrontou a Juventus de Boniek, Rossi e Platini com Trapattoni a treinar. Defrontou a Fiorentina de Gentile, Passarella, Sócrates e Baggio. Era o melhor jogador do melhor campeonato do Mundo.

O Nápoles não ganhou mais nada desde Maradona. Quando Maradona jogava de azul era ele o melhor. Havia Careca e Alemão mas nem de perto nem de longe tinham a influência de Maradona. Don Diego jogava, Nápoles vencia. Aqui ganhou sozinho.

Na seleção do seu país, era ele e mais 10 cones. 

Não jogava Maradona e a Argentina nem se qualificava para o Mundial. Quanto mais ganhá-lo.

O segundo golo contra a Inglaterra no Mundial de 1986, nos quartos de final, é representativo da influência de Diego no seu país. Os seus medíocres companheiros só tinham como função passar a bola a El Pibe e ele lá arranjava maneira de resolver qualquer jogo. Foram 7 os jogos da Argentina no Mundial de 1986. Maradona não perdeu um.

Com isto, 21 jogadores ganharam medalhas de ouro sem saber ler nem escrever. Mas Maradona já estava habituado. 

Quanto ao cômputo geral, Maradona também se carregou sozinho para o topo e lá continuará. 

Messi e Ronaldo são fenómenos físicos e técnicos outrora nunca vistos. A sua longevidade é notável. Mas não tiveram de carregar uma equipa e um país às costas.

O melhor companheiro de Diego terá sido Jorge Valdano. E este nem é dos 20 melhores jogadores argentinos de sempre. Messi e Ronaldo não podem dizer o mesmo. Também não podem dizer que ganharam Mundiais sozinhos. 

Acresce ainda a vertente mais pessoal de Maradona. Desde os seus tempos na Catalunha que a cocaína faz parte da sua vida. Ter conquistado mundos e fundos dentro de campo sob o efeito de uma droga tão pesada só enaltece ainda mais os seus feitos. 

Maradona foi quem chegou mais próximo à perfeição futebolística e é assim que merece ser recordado.

Arriba Maradona!









Comments

  1. “Por isso, a esmagadora maioria dos jogadores caracteriza-se pelo não comprometimento político e indiferença social, permanecendo alheados nesse mundo paralelo do futebol. Maradona foi um dos escassos jogadores que assumiu posições políticas e se envolveu em questões sociais, utilizando o futebol como lugar a partir do qual desafiou tudo e todos. Desafiou a ordem social dos bairros pobres, a política dos militares, a força das organizações, o poder das grandes potências, e a hegemonia do norte. Fê-lo à sua maneira, umas vezes com a magia das suas fintas e golos, outras com palavras rudes e indelicadas.” (Carlos Nolasco – Público)

    Aproveitei esta opinião, excelente a meu ver, para comentar o teu texto, ao contrário, isto é de baixo para cima. Tive o privilégio de ver “el pibe de oro” em Alvalade a jogar pelo Nápoles contra o meu Sporting, juntamente com o meu pai e o meu irmão. Desde esse dia, um dos momentos que retenho na memória foi a entrada em campo das equipas, no antigo campo do Sporting, a que se seguiu a entrada dos suplentes e mais de 30, 40 (exagerando pouco) jornalistas, fotógrafos, TV, a rodear o Maradona, até ele se sentar no banco de suplentes e o árbitro mandar essa multidão afastar-se para dar inicio ao jogo. Maradona, só jogou meia hora se tanto. Em minha opinião, todos gostavam, e ainda gostam, de Maradona, todos sem exceções, aquele misto de deus e de pessoa comum, de único e de magnífico, idolatrado por Presidentes, Reis, milionários, figurões importantes mas também endeusado pelo povo, não só o argentino, corrigindo, idolatrado pelos povos de quase todo o mundo futebolístico ou não, porque afinal era e sempre foi um deus com todas e mais algumas fraquezas ou vícios do homem. Fica-nos a memória, resta-nos a saudade, Maradona ficará entre nós “para siempre”
    PCP é um dos partidos mais antigos do mundo e talvez o mais ideologicamente estável. Fundado em 1921, como a secção portuguesa da Internacional Comunista, só teve 5 secretários gerais em quase 100 anos de história, e foi, sem sombra de dúvidas, o principal, quase o único grande opositor ao regime fascista de Salazar, mesmo na clandestinidade, honra lhe seja feita.
    No meu tempo de atividade política, o PCP era referenciado como revisionista, social fascista, até porque existia uma extrema-esquerda em ascensão. Desde esse tempo até hoje, em nada mudaram, o PCP continua a ser leninista, ideologicamente defensores da ditadura do proletariado, ou do operariado, e nunca evoluiu quer politicamente, quer socialmente. Os que se afastaram da sua linha programática, foram e continuam a ser apelidados de traidores. A base de contestação continua a ser a mesma de há quase 100 anos, assim como aquilo a que chamávamos o discurso cassete (K7), o discurso de Jerónimo de Sousa, é semelhante ao de Carlos Carvalhas, que por sua vez é igual ao de Álvaro Cunhal ou ao de Bento Gonçalves e de José Carlos Rates. De uma coisa tenho de atribuir o reconhecimento ao PCP, num país praticamente sem indústria (proletários/operariado), sem agricultura (apenas com grandes explorações agrícolas) com sindicatos cada vez mais desertos, estudantes cada vez menos politizados, o PCP é assunto do dia por causa do seu Congresso, por não facilitar, por quebrar este esforço relativamente a pandemia, ao confinamento, para voltar a repetir as mesmas máximas e reeleger novamente o mesmo secretário-geral. Avante Camaradas.
    Em resumo, gostei do teu texto como sempre, com a certeza de que voos mais altos te esperam.

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